Paróquia Santissima Trindade - Ceilândia DF

Quinta, 28 Janeiro 2016 17:11

O desafio de educar os filhos em meio às ameaças do mundo

Lembro que certo dia peguei um táxi na Rodoviária do Plano Piloto, ao sair do ponto, o taxista e eu, escandalizados, vimos alguns jovens de classe média usando drogas, algumas meninas se beijando na boca e um pouco mais adiante algumas prostitutas. O taxista, um senhor muito simpático, que devia possuir uns 55 anos de idade, me mostrou aquelas coisas e disse: Meu amigo, não sei o que será desse mundo daqui a algum tempo. Quando eu era jovem, ninguém nunca imaginou que um dia o mundo estaria tão bagunçado assim!

É nesse difícil contexto, onde tudo aponta para a desconstrução dos mais preciosos valores familiares, em que nossos filhos são bombardeados por diversos conteúdos nocivos, é que somos chamados a formar homens e mulheres equilibrados. Mas como fazer isso em meio a um ambiente de crescente promiscuidade?

Existe diferença entre educar e criar.

Educar é dar a alguém todos os cuidados necessários para o pleno desenvolvimento de sua personalidade. Criar, por sua vez, é fazer existir, trazer à existência. Educar um indivíduo, portanto, é mais complexo que criar.

Educar os filhos, de fato, nunca foi tarefa fácil. Contudo, nos tempos atuais, esta missão se torna ainda mais exigente, cheia de desafios que impõem que os pais estejam ainda mais atentos à evolução de seus filhos do que no passado.

A palavra de Deus nos ensina que educar é uma ação voltada ao coração da pessoa que recebe a instrução, os filhos (Pr 4, 20-23), pois pelos interesses que o menino demonstra pode-se ver se seus atos serão puros e retos (Pr 20, 11). Nesse sentido, os pais precisam estar atentos ao que tem chamado a atenção de seus filhos e os estimular a terem gosto pelo que é reto, justo e que agrade a Deus, afinal é esta a promessa que fazemos ao recebermos o sacramento do Matrimônio, a de educar os filhos na fé e na justiça.

Quando não se exerce com zelo esta missão, a tendência é entregar à sociedade indivíduos egoístas, influenciados por contravalores, aprisionados por vícios, depressivos, isolados, mal acompanhados e superlotando os presídios. Nesse sentido, é necessário prontamente corrigir, com a devida disciplina, as condutas inadequadas dos filhos, por mais bonitinhas que possam parecer, pois erro é sempre erro.

A disciplina e correção sábias são fundamentais para que a insensatez não se sedimente nos corações dos filhos e não os torne amantes do que é errado (Pr 22, 15). Não há nada melhor do que a atenta instrução e a disciplina para os filhos, pois isso lhes dará sabedoria, prudência e equilíbrio, livrando-os do perigo, da humilhação e até mesmo da morte (Pr 29, 15).

Muita sedução atrai o interesse dos nossos filhos para o que não lhes é saudável. É incrível como, por mais que selecionemos as programações, vira e mexe alguma mensagem inadequada atinge as crianças e os jovens. Não é raro os surpreender com olhos vidrados em uma cena picante na TV ou na Internet, à qual eles ainda não tem estrutura psicológica para terem contato. Sem contar com o que eles ouvem na escola, proveniente de famílias que não exercem a devida vigilância sobre os seus filhos.

Em meio a esta tempestade de más informações, os pais precisam se fazer amorosamente presentes na vida do seus filhos, participar de todos os momentos deles desde pequenos. Gastar (ou ganhar) tempo orientando-os, descobrindo e esclarecendo suas dúvidas com carinho, até mesmo em longas conversas e com severidade, se preciso for. É claro que a correção, no primeiro momento é dolorida tanto para os filhos quanto para os pais, mais depois produzirá fruto de paz e justiça para os que na correção foram exercitados (Hb 12, 11).

É necessário, ao corrigir, zelar para não provocar revolta nos filhos, pois eles ainda estão aprendendo o que é o certo. Desse modo, rebaixar os filhos, humilhá-los, denegri-los, compará-los com outras pessoas, repreendê-los publicamente só os afastará dos pais e os aproximará de lobos oportunistas. O que se deve fazer é educar com uma pedagogia inspirada no Senhor (Ef 6, 4), que é amor (1Jo, 8.16).

Obviamente não há como retirar os filhos do mundo e criá-los em uma redoma, protegidos de tudo o que é ruim. Mas, é necessário apresentar, antes que qualquer outro, os perigos que se escondem por aí, ensinando-lhes a atitude correta a ser tomada diante de cada situação que surge na frente deles. Exemplo: “Filha, dançar desse jeito faz com que os homens lhe faltem com o respeito; filho, não é por que todo mundo faz isso que está certo; filha, seus amigos estão fumando mas você aprendeu que isto é um vício e que pode lhe ocasionar a morte um dia, não faça igual; filho, você vai ouvir seus coleguinhas dizerem muitos palavrões, mas você sabe que é errado, portanto não repita; filho, todos temos desejos, mas nem tudo nos convém fazer, aprenda a ser obediente, pois na vida existem regras e consequências para quem as descumpre; filha, nunca se envolva com este tipo de pessoas, pois estão na vida do crime e uma vez misturada com eles, será difícil para você sair de lá, etc.

Por fim, é necessário em tudo dar o bom exemplo, por que nossos filhos nos observam e se espelham em nós para formar a sua própria personalidade. De nada adianta ficar ensinando o bom caminho e trilhar todo o mal caminho que se quer evitar. Nunca se deve esquecer que a palavra convence, mas o testemunho arrasta. Ensina ao teu filho o caminho pelo qual ele deve andar e ele não se desviará dele mesmo quando envelhecer (Pr 22, 6).

Portanto, respondendo aos pais que muitas vezes se perguntam o que fazer para servir a Deus e construir um mundo melhor, a resposta é nos esforçar para nos capacitar e crescer nesse sagrado encargo de bem educar os filhos que o Senhor nos concedeu. Fazendo assim, certamente estaremos mudando o mundo para melhor e entregando à sociedade homens e mulheres éticos e honrados.

Paz e Bem

Dawdson Correia

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